sábado, 23 de janeiro de 2010

Criança

É maravilhoso me perceber diante da vida, a menina que dia após dia desperta uma mulher, mas por vezes eu me sinto uma criança indefesa, uma robusta criança indefesa que deambula demais e agora, eu quero e tenho necessidade de sentir um pouco menos ou sentir sem tanta afobação e vermelho, pois por vezes meus próprios sentimentos parecem querer me engolir, imaginem os outros, imagine você... Não que eu queira anular o que sinto, pois a minha cheiura não imprime em mim o vazio que emperra alguém diante da realidade, a claustofóbrica realidade nossa e a luz da qual me dói por vezes por tanta intensidade se faz reflexo da minha transparência, um espelho d água majestoso na pureza de sua originalidade.
Hoje, o silêncio do menino não me é mais tão agoniante e me serve de reflexão: a confusão é inerente ao sentimento, parar ou seguir diante dela é uma escolha e por vezes a reclusão se faz necessária... Mas o tempo não para e independe da gente, ele é precioso e para mim, quem reina nesse tempo são os malucos, os artistas que tem um ritmo, um cantar e um dançar próprios, paralelos a essa realidade. Nós criamos um mundo, não é mesmo?

"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz."
(Platão)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Espera

E ela espera, porque é o que lhe resta. Mas não espera parada, pois há muito o que se fazer e ela precisa se mexer. Sente nescessidade de... Ler, estudar sobre corpo, escrever, olhar nos olhos dele, dormir só um pouco, sair nua na chuva que já se foi, ensaiar o que há tempos não ensaia... Por esse momento ela quer isso. Daqui há um minuto acrescenta uma vontade a mais... Bocejar e ela boceja. Seus dias nunca são sem graça, pois ela sempre põe emoção aonde está, passa e vai. Estranhamente, ela não se sente tão bem, mas já não se sente tão agoniada quanto antes. Lembrava de uma fala da personagem de um de seus espetáculos preferidos: "- Se eu não me conhecesse diria, aquela ali é louca!''
Resumidamente, por enquanto.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Singular

Quero ir embora. Sinto que o meu grande mundo não me abarca mais e que para estar do meu lado é preciso muita paciência. Porque eu não sou só feita de maravilhosas... Eu também irrito, invejo, desafeto, desalinho... Eu sinto culpa, mas eu quero que essa culpa passe de uma mera sensação e me deixe em paz. Porque eu tenho sempre de agradar? Eu tenho de ser santa? Eu tenho de ser magra? Eu tenho de sempre estar linda? Minha pele inflamada, meu coração torto, meu corpo extra-gordura, meu não padrão, meu desvio, minha loucura... Quero abocanhar tudo, quaze sempre, mas as vezes quero estar só comigo, sem querer nada, apenas estar, apenas ser no meu singular.

Estranha

Sentia-se estranha, a não ser pelas suas afetações emocionais e uma possível falta de, tudo estava bem. Queria não sentir o que achava, pois o que achava lhe era desagradável, a começar porque imaginava em demasia e nem sempre isso era bom. Ela simplesmente não podia ser normal ou sentir bem menos? Não, pois a normalidade não era para pessoas como ela que percebiam e sentiam o mundo de uma outra forma, principalmente o mundo das emoções. Agora ela queria voar, se tocar, beijá-lo, comer doce e adormecer bem relaxada. Queria anestesiar o que sentia de forma ruim. Queria uma droga. Você?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Para ele:

''Sem jogos ou desusos você simplesmente é e sendo me cativa, me eleva, me toca, me pulsa, me goza, me cheira, me queira a noite nua, pura e crua... Te jogo desejos castos e pagãos. Me mostro curiosa, com sede, com fome... De você, de mim, da nossa energia que me enalteçe.''

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Eu tocaria meu vulcão pensando em toda a sua vontade, e ela quer me lamber... Mas ela não é suficiente para me aboncanhar.
Eu fujo e você vêm atrás, me pega pela cintura, me cheira o pescoço, lambe minha orelha, me diz palavras safadas e eu simplesmente continuo fugindo.
Se você quer precisa me prender e ainda assim me deixar livre... Volto quando quiser.
Beijo em seu desconhecido.
''Li. diz:
....
eu to muito doida e inquieta internamente
e nda passa
mas eu gosto desse estado
- Honório. diz:
Hoje eu tô calmo. Sábado me senti eufórico, depois sufocado. Domingo sufocado, depois trivial, depois alegre, depois calmo.
Hoje: calmo.
...
- Honório. diz:
Hoje: bem. Bem e leve.''

E eu sinto que preciso ser mais banal, para sentir um pouco menos, para ver se essa inquietude gritante me deixa um pouco em paz.