quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O lobo despiu a menina com seu olhar quente, seus pensamentos voantes, seus desejos sujos... Pousou a imaginação aonde bem queria, usou-a como bem queria, aliás, os dois se usam quando bem entendem e o jogo interessa por ser livre e despudorado assim mesmo. Ela queria se descobrir nos caminhos do sexo, ele queria as aventuras dos caminhos percorridos... Quando ele abocanhou-a, todo o seu corpo estremeceu, e o gozo novo de menina inexperiente e cheia de prazer invadiu-a como um raio certeiro e forte. Ela não queria saber de definições e muito menos de questões racionais, apenas queria deixar os is tintos falarem mais alto, pois achava que a vida era bonita demais para ser enclausurada como já havia sido antes. Sentia o seu corpo uma dança, que quando se encontrava com o dele vivia a festejar e sente uma leveza enorme, uma estranheza também e o quão bom é viver isto.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Quem sabe os dois tenham em comum o mesmo jeito momentâneo e intenso de viver e embora ela o sinta distante, existe certa energia de fascínio e entrega que paira entre ambos.
Ela borboleta e ele pássaro possuem a singeleza e a curiosidade de descobrir o mundo, mas ele encolhe-se e ela abre-se, ao mesmo tempo em que um faz-se o contrário do outro.
As asas dos dois entrelaçam-se e vai e vêm, afastando-se, aproximando-se, aproximando-se, afastando-se...

(As peles se pedem Respiração Transpiração Movimento Vibração Viciante)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A Ostra E O Vento

Vai a ondaVem a nuvemCai a folhaQuem sopra meu nome?Raia o diaTem serenoO pai ralhaMeu bem trouxe um perfume?O meu amigo secretoPõe meu coração a balançarPai, o tempo está virandoPai, me deixa respirar o ventoVentoNem um barcoNem um peixeCai a tardeQuem sabe meu nome?PaisagemNinguém se mexePaira o solMeu bem terá ciúme?Meu namorado erradioSai de déu em déu a me buscarPai, olha que o tempo viraPai, me deixa caminhar ao ventoVentoSe o mar tem o coralA estrela, o caramujoUm galeão no lodoJogada num quintalEnxuta, a concha guarda o marNo seu estojoAi, meu amor para sempreNunca me conceda descansarPai, o tempo vai virarMeu pai, deixa me carregar o ventoVentoVento, vento.
(Chico Buarque)

me carrega, me leva...desse desterro, desse emaranhado...de confusões aqui por qüi. alma cansada e deslavada, talvez aja tempo para descansar ou aja tempo para renascer. ''Porque o eu é sempre recomeço''. Forças para recomeçar, a cada dia...quero o brilho no meu olho que não mais o vi. Água.

domingo, 24 de agosto de 2008

O cavaleiro das asas negras chegou até ela com um olhar convidativo e como num piscar de olhos sumiu. Ela procurou, procurou e procurou: só percebeu rastros deixados por ele de forma confusa e sublime. Encontrou-o tempos depois numa roda viva e colorida de um dançar esfuziante. Ele veio até ela, sorriu de felicidade e a segurou nos braços de uma forma que a sensação no corpo dela havia ficado grudada por algumas horas. Ela queria dançar com ele, fosse o que fosse, mas ele como ser misterioso é para se guardar na memória do coração doce que canta.

sábado, 23 de agosto de 2008

desalinho na alma é como loucura incrustada na normalidade. melhor assim do que sentir o que sentia: um frio gélido de vazio mais choro preso. por um instante estava bem, daí logo vinha o estar ruim. um sobe e desce, desce e sobe, sobedesce, descesobe, essobedcesses de emoções. tudo junto, tudo emaranhado, sem explicação e sem emoção também, porque sentir já havia virado costume e como todo costume cristalizado, sem verdade ou passível de...verossimilhança.
pesadelo que era um sonho que não se realizava constantemente...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

ela saiu pelas ruas trajando a saia de retalhos coloridos, que junto aos volumosos cachos puseram-se a voar e os transeuntes a olhar. Mesmo com seu brilho aparente sentia um estranho preto e branco no peito. Parou e ficou a espera do ônibus, aquele mesmo que sempre a levava a um de seus cantos preferidos e sim, este de agora era o mesmo de antes do qual havia pegado horas anteriores a estas de agora. Subiu, reconheceu aquele ambiente, mas sempre com novos elementos e via dessa vez, tudo tão mais as claras: o olhar do menino para ela com alguma intenção, a risada de zombaria dos detrás, o não olhar da senhora que a fez ter vontade de sumir, o olhar caraolho cheio de história do senhor mais a frente e tudo o mais parecia querer explodir pela sua visão e audição. Suas percepções aumentavam cada vez mais e mais e quando, depois de descer do ônibus e dimuindo os passos para quando ele virasse na esquina, ela pudesse dar uma última olhada para o senhor do olhar caraolho cheio de história, veio em sua mente um momento ao qual tivera antes daquele. Ao banhar-se e escutando uma das músicas ao gosto dos dois, começou como num gesto instantâneo a remexer o corpo ao sabor do ritmo da música. Os movimentos desenhavam todo um jorrar d´água de suas ancas a suas nâdegas e além do quê, o caminho sensual percorrido nos seios, na cintura...de olhos fechados ela fazia-se leve ao pensar num compasso de dança para os dois, de imaginar que toda aquela água tocando seu corpo poderia ser o desenho do corpo dele unido no seu, que lambuzava um ao outro numa vontade desmedida. Queria tê-lo naquele momento, mas sempre deixando seus braços abertos para que ele pudesse voar quando quizesse, pois como ela, ele não pertencia a ninguém, assim, como livres pássaros que quando desejam dão o ar da graça. Parou de pensar. Sentiu-se mal. O tempo parecia querer engoli-la. O devaneio parecia não querer se juntar a realidade. Ela como dias antes, só imaginava. Não vivia. Não tinha. Gostaria...talvez.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

''Sonhou com o homem que imaginava a noiva do buquê de alface. Quis perder-se no sonho, no pensar dele. Sentia, na sua doce ilusão, que se ele era o amarelo por dentro do olho da noiva, ela podia ser a transfiguração real da imagem da noiva. Queria que ''ela-noiva'' e ''ele-criador'' pudessem um dia se encontrar. Todo esse querer de instante em instante oscilava do leve ao intenso, mas sim, ela desejava. Desejava querendo, que o transitar dos ventos impulsionasse a liberdade fulgaz que os rodeavam para uma dança, onde no movimentar dos corpos o calor unido destes os levaria ao êxtase.''